Uma das minhas maiores birras com os tempos modernos é que, após os anos 2010, espalhou-se um veneno na sociedade chamado Otimização.
Talvez tenha começado com o YouTube, que trouxe pela primeira vez uma infinidade de pessoas e situações para nos compararmos. Subitamente, sua habilidade de tocar o solo de Eruption ou Hotel California não é nada demais; afinal, há uma criança asiática de 5 anos que toca um solo mais difícil e melhor que você.
O mesmo aconteceu com os jogos. Se antigamente estava tudo bem jogar um jogo apenas por diversão — errando, recomeçando, explorando as coisas com calma —, agora, antes de sequer começar, o jogador médio já sabe os melhores caminhos de exploração, quais são os itens mais fortes e por aí vai. E eu nem vou mencionar os jogos competitivos online e o inferno devorador de diversão chamado Metagaming.
O mundo tem pressa ou somos nós?
Essa necessidade patológica de extrair a máxima eficiência de cada segundo levanta a questão: o mundo realmente acelerou ou fomos nós que desaprendemos a contemplar o percurso?
Vivemos em uma era onde o “tempo livre” passou a ser visto como “tempo desperdiçado” se não estiver produzindo algo ou otimizando uma habilidade. A pressa não está mais apenas nos prazos de trabalho, mas entranhada na nossa forma de consumir arte, lazer e relações. No fim, ao tentar otimizar a vida para “aproveitar mais”, acabamos transformando a própria existência em uma planilha de Excel, onde a espontaneidade morre em prol de uma performance que ninguém pediu.